
Exemplo de dedicação, o paratleta José Roberto da Silva Júnior (Memorial/Unique 1) não pára de treinar, competir e vencer. O Santista comemorou no último final de semana a conquista do Troféu Brasil de Triatlo, competindo na categoria amputado sem prótese. Foi o sexto título da competição na carreira do atleta.
Júnior teve um desempenho impecável na temporada, ganhando todas as etapas do circuito em que esteve presente. Para o atleta, a última foi a mais difícil. “O mar estava muito alto e nas transições para o ciclismo e a corrida, o calor forte também atrapalhou”.
Os sucessos de Júnior no ano não se limitaram ao Troféu Brasil. O paratleta também festejou mais um título – o quinto na carreira – no SP Open de Biatlo, vencendo as quatro etapas que disputou. No início do ano também comemorou o sexto título no Triatlo Internacional de Santos.
Agora, Júnior só que saber de descansar e curtir as festas de final de ano com a família. “Estou cansado e dolorido. Vou fazer apenas uns treinos de manutenção e, depois, começar a me preparar para a disputa do Triatlo Internacional de Santos, que será em fevereiro”.
ESFORÇO – O sucesso do atleta é fruto de grande esforço. Quando não está em período de competição, Júnior chega a treinar entre quatro e cinco horas diárias. As segundas, quartas e sextas-feiras, ele divide a preparação entre natação e musculação. As terças e quintas-feiras, o treinamento em piscina é alternado com sessões de spinnig (bicicleta).
O esporte ainda é dividido com o trabalho cotidiano. Casado, tem dois filhos. Gabriel, de um ano, e Guilherme, de 11 anos, que treina natação e ajuda o pai nas transições das provas de biatlo e triatlo.
INCLUSÃO PELO ESPORTE – Júnior teve a perna direita amputada acima do joelho após sofrer um acidente de moto quando tinha 19 anos. Muito jovem, saindo da adolescência, o atleta lembra que entrou em depressão, sem encontrar um rumo por, pelo menos, um ano.
A família entendeu que se tratava de um processo pelo qual ele precisava passar, mas não deixou que isso perdurasse. “Depois de um ano, vieram me cobrar o que eu pretendia fazer e se o meu objetivo era deixar que a vida simplesmente passasse”. Foi quando, com o auxílio de um primo, Júnior descobriu o esporte.
Primeiro foi a natação e depois, devido às suas habilidades, o biatlo e triatlo acabaram sendo conseqüência.